futebol-anos-80Amigo leitor dou seqüência a série de matérias do inicio dos anos 80, da revista Paulistão.

Preste atenção nesta matéria, a dúvida e o receio que se tinha em relação ao patrocínio na camisa, e isso em 1980.

A Salvação do Futebol esta na Propaganda?

O mesmo fenômeno registrado no campeonato paulista de 1979 ou mesmo na copa Brasil do mesmo ano, esta sendo sentido e observado em todas as partes do mundo: A diminuição do público nas praças esportivas.

Os únicos países, no velho mundo, que seguem fiéis a tradição de evitar  a propaganda nos uniformes esportivos, seguem sendo Inglaterra e Espanha. Os primeiros em virtude do fascínio que o esporte das multidões continua exercendo sobre seus aficionados. Os segundos,pelas constantes mutações registradas em seus principais elencos,com as conquistas de grandes craques,a peso de ouro,fazendo com que as torcidas correspondam as enormes somas despendidas pelas agremiações.

Há, igualmente, os torneios internacionais que permitem aos clubes, sanar muitas dividas e colocar suas finanças em ordem.

Nesses certames os ingressos são  vendidos com muita  antecipação. Eles oferecem prêmios aos adquirentes,via de regra são levados a efeito em cidades menores.Daí o estado de sobrevivência geral  dos Espanhóis.

O que não está ocorrendo na Itália, cujos clubes estão começando a sentir a imperiosa necessidade de abrir o mercado para jogadores estrangeiros com a esperança de aguçar o interesse do torcedor.

Assim, transações estão sendo feitas com muitos atletas, para que os “tifosi” não fiquem decepcionados  e deixem de prestigiar os espetáculos

Em recente levantamento feito no futebol Italiano constatou-se um fato verdadeiramente anormal: As rendas podem permanecer quase que num mesmo plano de há alguns anos atrás, todavia o numero de torcedores caiu de maneira assustadora.

Querem os dirigentes, verdadeiros empresários, atinar com esta queda abrupta. Se não encontrarem uma solução capaz de arrancar o torcedor de sua casa,então entendem ser necessário adotar novas medidas para impedir os rombos financeiros acusados por alguns dos principais clubes daquele País.

Este é o triste caminho do futebol Brasileiro. Não há clube profissional que não tenha tido déficit na temporada de 1979.Os pequenos Grêmios do interior do País,colocados num certame nacional,tiveram necessidade de reforçar suas fileiras,isto custou dinheiro.O esforço financeiro correspondeu?De maneira alguma.

Em conseqüência, alguns dos novos participantes deixaram de sentir atração pela magna competição, pois sentiram não estar  à altura de grandes eventos, pois o melhor publico capaz de lotar suas praças esportivas, é insuficiente para pagar as despesas que passam a enfrentar.

Nos grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, as exigências financeiras dos profissionais no tocante as luvas, salários e prêmios, são superiores aquilo obtido nas bilheterias dos estádios.

Quando um clube chega a condição de finalista pode,na verdade,obter algum lucro.Mas no todo o certame é deficitário.Salvam-se todos apenas nos clássicos regionais.Todavia,como estes são disputados cinco,seis,até oito vezes por ano,eles perdem aquele interesse de anos anteriores quando as principais agremiações defrontavam-se duas no máximo três vezes por ano.

Os Franceses conseguiram solucionar todos os problemas financeiros, com uma forte propaganda nos uniformes. Os vinte integrantes da divisão especial,apresentam,cada um deles,um patrocinador.

A firma responsável pelo nome do produto no uniforme cabe a responsabilidade da folha de pagamento. Então o lucro passa a ser da bilheteria ou da venda dos jogos para as emissoras de televisão ou com a propaganda estática nas principais praças esportivas.

Por  que este sistema não é adotado pelos Brasileiros?

É preciso responder com calma e muita ponderação, pois o assunto é bastante delicado.

Entendem os principais dirigentes um coisa: A propaganda no uniforme “despersonaliza “o clube.

Então vamos a um exemplo – se o Flamengo usa a marca de um determinado produto e o quadro caminha bem, inclusive o retorno daquilo que é despendido por uma empresa vem depressa.

Quando caminha mal, há certo arredio por parte dos próprios patrocinadores. Dai o receio por parte dos  dirigentes do nosso futebol de não ver a propaganda nos uniformes aplaudida pelos torcedores.

Acham suficiente a cor da camisa, as cores tradicionais, para não perder o apoio dos torcedores. Temem a responsabilidade de enfrentar certas gozações por parte dos “inimigos”,como ocorreu recentemente quando alguns clubes procuraram imitar o Grêmio,de Porto Alegre,com a formação de sua “torcida gay”.

Nem mesmo nos agasalhos as agremiações acham correta a publicidade. Todavia,nos treinamentos,a maioria nossos clubes  usam várias marcas de camisa,pois o material é fornecido de maneira graciosa e estampado em jornais e revistas,que nada cobram pela sua publicação.

Se adotam este sistema nas camisas de treino por que não salvar do desastre financeiro com a propaganda direta nos uniformes dos clubes?

A resposta cabe aos dirigentes.

 

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