Rogério Ceni concedeu sua primeira entrevista no ano após o treinamento de sábado no CCT.

O capitão do São Paulo falou sobre o esquema tático, o problema entre os garotos e o clube, os adversários e das declarações de Rinaldo Martorelli.

Leia os principais trechos da coletiva.

P – Como você está vendo a mudança do esquema tático neste começo de temporada?

RC – O 4-4-2 não é novidade, é o esquema mais tradicional no Brasil e no mundo, para mim não há dificuldade.

É claro que jogamos no 3-5-2 desde 2004 e os zagueiros terão que mudar um pouco sua maneira de jogar, já que não haverá a sobra, e os laterais vão ficar um pouco mais atentos na marcação.

Acho que o meio campo fica mais forte já que ganha um jogador a mais no setor.

P – Como está vendo a questão dos garotos Oscar, Diogo e Lucas que entraram na justiça contra o São Paulo?

RC – É um assunto delicado, eu sou de outra época. No meu tempo de garoto, quando você passava em um teste no São Paulo era a maior felicidade do mundo.

Quando vínhamos treinar no CCT e almoçávamos com os profissionais, era o máximo, ficávamos com isso gravado na memória e ligávamos para os nossos pais para contar.

Mas hoje, tudo mudou.

Não podemos em principio criticar o empresário, ele tenta fazer dinheiro da melhor maneira possível para ele e seu cliente.

Eu acho que ainda há tempo para os meninos, gosto muito do Oscar e do Diogo, o Lucas eu não conheço.

Tem momentos na vida que somos representados bem ou mal, mas a ultima palavra é sempre sua.

O único pedido que faço a eles, é que parem para pensar no que estão fazendo, é um direito de todo atleta sonhar em jogar no exterior, mas primeiro você teria que fazer uma carreira profissional aqui, se destacar, e automaticamente o caminho para a Europa iria aparecer.

Ainda é tempo de repensar uma decisão e voltar atrás, o clube e o grupo vão recebê-los muito bem.

Eu conheço bem o São Paulo, pode ter defeitos, como todos os clubes têm, mas aqui você tem uma coisa muito importante que é a palavra das pessoas.

Aqui a palavra é sempre cumprida. Estou aqui há 20 anos e nunca recebi um salário sequer em atraso.
Volto a dizer, a ultima palavra é sempre do jogador.

Se tem gente com 18 anos capaz de assumir um casamento, também tem condições de tomar uma atitude própria em relação ao futuro de sua carreira.

Às vezes é importante na vida dar um passo atrás.

Torço para que eles se reapresentem. Uma coisa eu garanto: é muito difícil de encontrar no mundo um lugar tão bom para trabalhar como este aqui!

P – Hoje é possível um jogador viver sem empresário no futebol?

RC – É possível, é um pouco mais difícil para se ter uma transferência internacional, mas para você sobreviver no mercado nacional é possível.

Conheço empresários que são pessoas sérias e honestas e não condeno o papel deles no futebol.

Agora, é preciso existir sempre uma decisão em conjunto entre o atleta e o empresário.

O atleta com 16,18 ou 30 anos sempre tem que ter a decisão final.

Cabe ao empresário apresentar as opções para o atleta escolher.

P – Você já teve na sua carreira alguma decisão tomada por alguém?

RC – Não, a palavra final sempre foi minha, errando ou acertando.

P – O Rogério Ceni de 2010, por conta das contusões do ano passado pode jogar menos, se poupar em algumas partidas?

RC – Se atuar menos que 2009 eu não jogo!

Espero que as lesões não ocorram e que possamos ganhar títulos. Espero um time vencedor como foi de 2005 até 2008.

P – Com as chegadas de Marcelinho e Leo Lima, você vai dividir a responsabilidade nas cobranças de faltas?

RC – É claro! Antes tínhamos três cobradores oficiais (Rogério, Hernanes e Jorge Wagner) agora temos cinco.
O importante é que a bola entre.

P – O São Paulo perdeu três jogadores (Borges, Hugo e Rodrigo), mas trouxe seis, o time melhorou em qualidade em sua opinião?

RC – Difícil analisar.

O Léo Lima tem características parecidas com o Hugo, o Roger pode substituir bem o Borges, e para o lugar de Rodrigo chegaram Xandão e André Luis.

Em termos de reposição de peças o São Paulo foi bem.

O Fernandinho é um jogador diferenciado, mas vai ficar um tempo fora e o Marcelinho trás toda sua experiência na bagagem.

P – Antes de a bola rolar é possível apontar o principal rival do São Paulo?

RC – Não.

O Palmeiras tem uma equipe entrosada, com bons jogadores como Marcos, Edmilson e Armero.

O Santos é um time em formação. Trouxe o Giovanni que é uma referência aos mais jovens. É um time que se ganhar confiança pode jogar bem.

O Corinthians foi a equipe que mais se reforçou.

Trouxe o Roberto Carlos, tem o Ronaldo, muitas opções no meio como Danilo, Tcheco, Edu, Elias e muitas opões no ataque.

É um time que se fortaleceu muito.

Nós vamos descobrir quem é o maior rival com o passar do tempo e das duas competições que teremos no semestre.

P – Para encerrar, como você viu a declaração do presidente do sindicato dos atletas, Rinaldo Martorelli, sobre o São Paulo, considerada muito forte e leviana pelo clube?

RC – Eu gosto do Martorelli, embora converse com ele poucas vezes durante o ano, mas acho que ele passou do ponto quando falou do clube e olha que ele é o presidente da minha classe!

Nunca presenciei qualquer tipo de coação com nenhum atleta aqui no São Paulo, nunca vi ninguém ser obrigado a assinar qualquer tipo de contrato.

Não tenho nada contra ele, mas quando fala que o São Paulo não é 100%, eu não sei o que ele quer dizer com isso, porque tem uma série de variações que podem ser usadas com esta porcentagem.

Eu estou aqui há 20 anos e o clube sempre agiu de boa fé com seus atletas neste tempo todo, sempre foi muito correto com todos.

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