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Hoje o rei do futebol está completando 69 anos de idade.

Dizer que Pelé foi o melhor jogador de futebol que já pisou em um gramado é chover no molhado.

Infelizmente não vi o jogar.

Mesmo assim, sempre dou risada quando vejo os DVDs que mostram algumas de suas jogadas e gols.

Pelé deixava qualquer marcador parecendo um molóide, tamanha era a diferença técnica entre ele e os outros.

O que sempre me admirou nele foram a sua humildade, paciência e presteza com os fãs.

Pelé nunca menospreza uma pessoa.

Sempre solicito para tirar uma foto ou dar um autógrafo, com paciência budista e simpatia cativante.

Como jornalista esportivo, tive o privilégio de entrevista-lo algumas vezes.

A entrevista que mais me marcou aconteceu em 2003 na Coréia do Sul.

Naquele ano aconteceu a primeira edição da Copa da Paz.

Torneio realizado e organizado pela fundação SunMoon,que reunia 8 clubes de todos os continentes (naquela edição participaram times como Besiktas,Lyon e PSV.

Como o São Paulo* era até então o time que representaria a América do Sul, viajei para lá para acompanhar a cerimônia de abertura (transmitida ao vivo para toda Coréia) e o sorteio dos grupos.

Daniel Santini na época do Jornal LANCE! foi o outro jornalista presente na cobertura do evento.

Depois de 27 horas de viagem, chegamos a Seul.

Já era final de tarde na capital Coreana, mas como era feriado local, o transito estava tranqüilo e chegamos rapidamente ao Hotel.

Deixamos as malas nos quartos(eu, Santini e dois diretores do São Paulo) e nos encontramos no Lobby para procurar algum restaurante por perto.

Antes de sairmos, vi duas pessoas sentadas no bar do hotel, com 4 seguranças ao redor.

Como Pelé seria o mestre de cerimônias da competição, logo imaginei que seria ele.

Palpite certo.

A “comitiva” Brasileira se aproximou e logo vimos Pelé e Renato Duprat conversando e bebericando um bom 12 anos.

Pelé fez uma enorme festa quando nos apresentamos.

Depois de meia hora de conversa, marquei com o rei uma entrevista para as sete da noite do dia seguinte (uma hora antes do começo do evento).

No dia seguinte, eu e Daniel Santini chegamos à sala reservada para nossa entrevista com 10 minutos de antecedência.

Cinco minutos depois Pelé e Duprat também chegaram.

A entrevista foi fluindo como um bom bate papo, abordamos vários assuntos: da seleção Brasileira recém campeã Mundial, passando pela Copa da Paz e claro o Santos.

Na parte final da entrevista, percebi que algumas pessoas da organização estavam aflitas com o relógio já que estávamos próximos das 8 da noite.

Comunicado sobre o horário, Pelé olhou para Duprat e deu o recado – ”fale para eles esperarem, estou dando uma entrevista para os meus irmãozinhos do Brasil”.

Continuamos assim nossa entrevista para desespero dos Coreanos.

Quando o relógio apontou para as oito da noite, os organizadores apelaram para a esposa de Pelé.

Assíria saiu do auditório onde todos esperavam por Pelé, para começar a transmissão do evento para todo o País e foi até a sala onde estávamos.

Foi então que Pelé nos pediu desculpas, mas teria que encerrar o bate-papo.

Quando vi o relógio não acreditei.

Pelé atrasou toda a cerimônia por causa de nossa entrevista.

Antes de subirmos para o auditório pedi uma foto ao rei para guardar como recordação.

Pelé olhou para mim, pegou o gravador de minhas mãos e fingiu me entrevistar, ai sim autorizou a foto.

Esta foi apenas uma pequena mostra da generosidade do rei do futebol.

Para ele apenas mais uma entrevista, para mim uma enorme honra e orgulho.

Parabéns Pelé.

* A CBF não autorizou o São Paulo a participar do torneio e o Nacional do Uruguai entrou em seu lugar.

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