milton-cruzO Brasil é um interminável celeiro de Craques.

Essa máxima do Futebol já dura algumas décadas.

Depois da geração de Diego e Robinho, chegou a vez de Neymar, Oscar e Boquita.

Mas como ter a certeza de que o garoto que desequilibra nas categorias de base, vai dar certo quando jogar com adultos no Profissional?

Fiz essa e outras perguntas a Milton Cruz, Auxiliar técnico e descobridor de talentos do São Paulo.

ML – O que determina o sucesso de um jogador de 17 anos quando sobe da base e logo joga pelo profissional?

MC – A qualidade técnica do jogador tem que ser diferenciada dos demais jogadores da base, a vontade do jogador também é muito importante, ele tem que querer, tem que treinar mais, se dedicar mais quando for chamado para treinar e jogar pela equipe de cima.

O Kaká nos treinamentos já mostrava que queria ir em frente e quando teve oportunidade não desperdiçou.

Pelos dois jogos que eu vi o Neymar fazer (Oeste e Paulista meio tempo em cada),da para perceber que o moleque tem ginga,parte para cima não tem medo, é um moleque que tem um futuro grande, pode sim se tornar um grande jogador.

No São Paulo você tem o Oscar, o Wellington o Henrique, são jogadores com grande potencial, mas eles tem que treinar,  correr,quando entrarem nos jogos mostrar o que fazem nos treinos,mostrar vontade, marcar, ajudar o time.

O Wellington tem isso, à vontade, correria, a forte marcação, já Oscar tem mais técnica, mas tem que aprender a marcar a ter mais dinâmica de jogo para se tornar um grande jogador.

ML – É subjetiva a questão de o garoto entrar e arrebentar de cara ou demorar um tempo para deslanchar, não dá pra ter 100 % de certeza mesmo sabendo do potencial mostrado na base não é?

MC – Realmente não dá para saber, o Hernanes e o Kaká eram reservas na base, o Zé Sergio sempre foi reserva o Muller também.

Então você tem que ter um bom olho clinico para descobrir o verdadeiro potencial do atleta e a experiência como ex-jogador também ajuda.

Às vezes o garoto encontra mais facilidade para jogar no profissional do que na base, porque ele encontra mais espaço para jogar, dão mais espaço na Marcação do que na base.

O Hernanes era reserva, mas jogava em várias posições, chutava bem com as duas pernas, tinha vontade, foi por isso que subiu mesmo sendo reserva na base.

O Kaká sempre foi fera, desde pequeno quando treinava comigo. Eu chamei o seu Sergio Bragança na época e disse que era preciso fazer um tratamento para ele crescer porque ele era muito pequenininho perto dos outros como o Julio Batista e o Julio Santos.

No profissional foi feito um trabalho de musculação e suplementos alimentares como está sendo feito hoje em dia com o Oscar.

De qualquer forma não é sempre que se acerta.

Eu lembro que na minha época tinha um jogador chamado Adauto que diziam que seria o sucessor de Pedro Rocha, todos apostavam no cara e não deu em nada.

E o Zé Sergio que sempre foi reserva na base acabou sendo um dos maiores ponta esquerdas do Futebol.

Ml – Que outros fatores são importantes para quem sobe dar certo?

MC – A questão familiar é muito importante, sem duvida. Outro dia estava conversando com o Kaká e perguntei sobre o Pato,porque tenho uma responsabilidade, indiquei o garoto para ele,para o Milan, então eu quero que ele vá bem,que deslanche no futebol.

O Kaká me disse que esta tudo ok, que ele se dedica nos treinos e a família dele esta ajudando bastante, fico contente com isso.

Uma vez fui até o Recife para ver um lateral direito do Náutico, Muricy era o Técnico.

Não gostei do jogador, mas um meio campista habilidoso me chamou a atenção.

Chamava Ailton e tinha 17 anos, Muricy deu seu aval e eu o trouxe para treinar no São Paulo.

Osvaldo Oliveira era o treinador na época e ficou encantado com o jogador nos treinamentos.

A primeira coisa que falei para o Ailton foi para tomar cuidado com as más companhias em São Paulo, ele era bem humilde sua casa em Recife era de chão de terra. Ele me disse que era evangélico e que podia ficar sossegado.

Mas não adiantou, o Moleque acabou se perdendo na vida e jogou fora uma carreira promissora.

Por isso a estrutura familiar, as boas companhias são muito importantes para um jogador em começo de carreira, às vezes só o talento não adianta.

ML – Como está a preparação do Oscar já que a pressão da torcida vem crescendo para que Muricy o coloque em campo mais vezes?

MC – O pessoal da Fisioterapia e da Fisiologia está fazendo um trabalho de reforço muscular com exercícios e suplementos alimentares com ele, então tem que esperar mais um pouco.

No jogo contra o Mirassol ele entrou em campo e você vê que ele leva uns trancos perde as dividas, ainda não tem a malandragem.

Por isso esta treinando a um bom tempo no CCT, para ir se acostumando com os profissionais, para quando entrar poder jogar bem.

Ainda falta corpo para o Oscar, mas ele é um jogador que se tiver cabeça, tiver obediência tática, aprender a marcar, a jogar sem a bola, vai vingar, porque o mais difícil ele tem que é a Habilidade e qualidade técnica.

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